Com a possibilidade de Jaques Wagner (PT) deixar a liderança do governo no Senado nos próximos dias, o nome da senadora Teresa Leitão (PT-PE) ganhou força no partido como alternativa. Integrantes do PT afirmam, sob reserva, que além do alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Teresa Leitão tem bom trânsito no governo, além de estar fora da eleição em outubro, já que ainda tem mais quatro anos de mandato.
A parlamentar é descrita por dirigentes do PT como uma liderança de perfil agregador e de confiança do Palácio do Planalto. Professora e ex-dirigente sindical, ela chegou ao Senado em 2023 com apoio de Lula. Nos bastidores, petistas avaliam que, diferentemente de Jaques Wagner que vem enfrentando desgastes com a operação Compliance e, anteriormente, críticas após episódios traumáticos ao governo, como a derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, Teresa não apresenta ruídos na relação com o Planalto.
Embora não integre o grupo histórico de fundadores do PT ao lado do presidente, Teresa consolidou uma relação de confiança com Lula por sua atuação sindical em Pernambuco, além de ter integrado a equipe de transição do governo e ser considerada uma das vozes mais fiéis ao governo no Senado. Como não estará na disputa de outubro, Teresa teria mais condições de se dedicar integralmente à articulação política do governo no Congresso. Esse fator é considerado uma vantagem importante em comparação a outros nomes cogitados para a liderança do governo.
Até agora, mencionava-se o ex-ministro da Educação, senador Camilo Santana (PT-CE), mas interlocutores do Planalto avaliam que ele precisará concentrar esforços na sucessão estadual do Ceará, considerada estratégica, mas difícil para Lula.
Aliados de Lula também destacam o simbolismo que a escolha de Teresa teria. Caso seja confirmada, ela se tornará a primeira mulher a comandar a liderança do governo Lula no Senado, o que reforça o discurso de da esquerda de ampliar espaços femininos de poder.
