A estreia de Virginia Fonseca no “Domingão com Huck” provocou exatamente o que a Globo imaginava: repercussão. Houve elogios, críticas, debates nas redes sociais e uma enxurrada de opiniões antes mesmo de o público conhecer direito o quadro. Mas, passada a primeira impressão, fica uma sensação curiosa: o conteúdo exibido no programa está longe de justificar o tamanho da polêmica.
O quadro é simples, leve, despretensioso, não traz uma grande novidade para a televisão e tampouco pretende revolucionar o entretenimento dominical. É um produto perfeitamente alinhado ao DNA do “Domingão”, um programa de variedades que há anos aposta em celebridades, brincadeiras, bastidores e formatos populares para conversar com um público amplo e diverso.
Se exatamente o mesmo quadro fosse apresentado por outra personalidade da internet, por um ex-BBB ou até por algum ator da casa, dificilmente geraria tanta reação. O debate não está no formato. Está no nome que aparece na tela.
Virginia se tornou uma personagem cercada por controvérsias. A associação de sua imagem à divulgação de apostas esportivas e jogos de azar colocou a influenciadora no centro de uma discussão legítima e necessária. Mas essa rejeição acabou contaminando qualquer análise sobre seu trabalho. Muita gente parece ter decidido o que pensa da participação dela antes mesmo de assistir ao resultado.
Isso não significa que a Globo esteja errada em apostar na influenciadora. Pelo contrário. Do ponto de vista de alcance e engajamento, Virginia continua sendo uma das personalidades mais relevantes da internet brasileira. A questão é outra: Luciano Huck realmente precisava comprar essa briga?
O “Domingão” já é líder de audiência. Huck ocupa uma das posições mais privilegiadas da televisão brasileira e apresenta um programa consolidado comercialmente e editorialmente. A impressão é que a atração assumiu um desgaste desnecessário ao trazer para dentro de casa uma polêmica que, na prática, pouco acrescenta ao conteúdo exibido.
