Às vésperas da semifinal da Copa do Mundo entre Argentina e Inglaterra, uma federação que reúne veteranos argentinos da Guerra das Malvinas pediu que torcedores não utilizem a partida como palco para reivindicações sobre a soberania das ilhas do Atlântico Sul.
Em nota divulgada nesta segunda-feira (13), a Federação de Veteranos de Guerra de 2 de Abril afirmou que o confronto “não é uma revanche armada nem uma compensação histórica” e pediu que a memória dos soldados mortos no conflito de 1982 seja preservada sem incentivar discursos de ódio ou xenofobia.
“A soberania é defendida nos fóruns internacionais por meio da diplomacia, da verdade histórica e da reivindicação pacífica e inegociável prevista em nossa Constituição”, diz o comunicado.
A entidade também ressaltou a importância de separar a rivalidade esportiva da disputa territorial.
“Consideramos essencial traçar uma linha clara e inabalável entre a paixão pelo esporte e a causa nacional. A bola rola, o orgulho pelas nossas cores se multiplica, mas a memória permanece intacta.”
A Guerra das Malvinas, travada em 1982 entre Argentina e Reino Unido, terminou com a vitória britânica. No conflito, morreram 649 militares argentinos e 255 combatentes britânicos. O Reino Unido mantém o controle e presença militar nas ilhas, enquanto a Argentina segue reivindicando a soberania por vias diplomáticas, inclusive na Organização das Nações Unidas (ONU).
Durante esta Copa do Mundo, jogadores e torcedores argentinos entoaram cânticos que fazem referência às Malvinas, além de homenagens a Diego Maradona e Lionel Messi.
Apesar disso, a delegação argentina tem buscado reduzir o tom da rivalidade. O técnico Lionel Scaloni afirmou que o duelo desta quarta-feira, em Atlanta, terá apenas o futebol em jogo.
