O governador Ratinho Junior (PSD) avalia medidas para proteger a economia do Paraná depois que os Estados Unidos propuseram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, enquanto o senador Sergio Moro (PL), pré-candidato ao Palácio Iguaçu, tenta se afastar da ofensiva americana alimentada por aliados bolsonaristas.
O Blog do Esmael apurou que Moro negou relação com a nova taxação contra o Brasil. A negativa, porém, não encerra o problema político para o senador: parte do campo que sustenta sua candidatura no Paraná defendeu sanções, intervenção diplomática e pressão externa contra o país.
A proposta americana veio do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de práticas consideradas “irrazoáveis” em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
O Pix entrou no relatório como um dos alvos centrais da crítica americana aos serviços de pagamento eletrônico. A mira sobre o sistema brasileiro transformou uma disputa comercial em briga direta sobre soberania financeira, bancos, fintechs, empresas exportadoras e custo de operação no país.
A tarifa de 25% ainda não está em vigor. O calendário americano prevê consulta pública até 1º de julho, audiência em 6 de julho e prazo legal para decisão em 15 de julho. A palavra final, no campo político, ficará nas mãos do presidente Donald Trump.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) foi acionado pelo presidente Lula (PT) para atuar na reação brasileira. O governo quer reunir argumentos técnicos para rebater a avaliação dos EUA e sustentar que a medida tem motivação política, não apenas comercial.
Lula elevou o tom nesta terça-feira (2), em Catalão (GO), ao associar a pressão americana à movimentação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O presidente chamou os herdeiros políticos do bolsonarismo de “traidores da pátria” e disse que eles seriam “piores que Bolsonaro”.
A fala mirou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que circularam nos Estados Unidos em agendas de pressão contra o governo brasileiro. Flávio Bolsonaro também pediu a Trump a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas, medida que amplia o risco jurídico e econômico sobre empresas com operações em dólar.
