A quinta fase da Operação Compliance Zero, que teve como um dos alvos o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PP-PI), reduz ainda mais as chances do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fechar um acordo de colaboração premiada.
A avaliação de fontes a par da investigação é que já há dados consistentes sobre a fraude financeira, o que permitiu à PF (Polícia Federal) deflagrar uma operação contra o chamado “andar de cima” da política. A ação desta quinta-feira (7) foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), relator da ação penal do caso Master.
Para conseguir um acordo, Vorcaro teria que apresentar provas e elementos novos para o esclarecimento da fraude financeira bilionária. A avaliação, porém, é que o vasto conteúdo dos aparelhos celulares de Daniel Vorcaro e outros investigados indica o caminho do esquema e da rede de proteção que o ex-banqueiro formou por meio da relação com autoridades.
Como mostrou a CNN, o ministro André Mendonça relatou a interlocutores ver manipulação da defesa do banqueiro e seletividade de informações. Em consequência, teria passado a avaliar uma revisão de sua estratégia para o caso.
A defesa de Vorcaro entregou na tarde de terça-feira (5) a proposta de delação à PGR (Procuradoria-Geral da República) e à PF. Como mostrou a CNN, o dono do Master narra datas, horários e cidades em que realizou encontros, reuniões, festas e viagens com políticos.
Segundo interlocutores com acesso às informações, há citações a políticos de direita, de esquerda, mas principalmente de centro na proposta de delação.
O senador Ciro Nogueira, alvo da operação desta quinta-feira, é um líder do Centrão. Presidente do PP, ele foi ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro. Tomou posse no dia 4 de agosto de 2021, prometendo ser um “extintor” das crises no Palácio do Planalto.
