O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirma que o debate sobre o fim da escala 6×1 (trabalha seis e descansa um) deve colocar na balança os prejuízos para as empresas. Segundo ele, não adianta “cuidar do trabalhador sem cuidar do empregador”. As declarações ocorreram nesta segunda-feira (18) durante a 40ª edição da Apas Show, considerada uma das maiores feiras do setor supermercadista do Brasil.
Uma comissão especial da Câmara dos Deputados analisa duas PECs (Propostas de Emenda à Constituição) que pautam o tema, com redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. O governo federal encaminhou PL (Projeto de Lei) em caráter de urgência sobre o mesmo assunto. O relator, deputado Leo Prates (Republicanos – BA), deve apresentar o relatório nesta quarta-feira (20).
“Lógico que todo mundo quer que o trabalhador possa passar mais tempo em casa. Lógico que todo mundo quer que o trabalhador possa ter uma escala menor e ganhar a mesma coisa, possa estar com seus entes queridos. Mas a gente não pode enganar o trabalhador. Essa é a grande questão.”
De acordo com o governador, mudanças mal planejadas podem causar informalidade e perda de potencial de consumo. “Trabalhador e empreendedor funcionam juntos, formam um único sistema. Quem está falando de desoneração de encargos? O trabalhador terá que perder tempo livre fazendo ‘bico’ para garantir renda. Isso é extremamente preocupante.”
No mesmo evento, o vice-presidente Geraldo Alckmin foi cobrado por empresários sobre as propostas. Entre os pedidos, estão solicitações para que os projetos não tramitem em regime de urgência e a criação de mais debates sobre impactos econômicos. “ A política é essa arte do abraço coletivo, do bem comum, de buscarmos as melhores soluções”, declarou Alckmin. “É possível, sim, avançar nesse bom diálogo.”
Em pesquisa Quaest divulgada nesta segunda, sete em cada 10 brasileiros se dizem a favor do fim da escala 6×1. O levantamento aponta que são 68% favoráveis e 22% contra. Outros 7% não são nem a favor nem contra e 3% não sabem ou não responderam.
Em dezembro, eram 72% a favor e 24% contra. Já em julho de 2025, eram 69% favoráveis e 26% contrários.
