Poucas imagens traduzem tão bem a essência da Copa do Mundo quanto um craque parado em campo, olhando para o vazio, tentando entender o fim de um sonho. Nesta segunda-feira, 6 de julho, Cristiano Ronaldo viveu exatamente esse momento. Aos 41 anos, deixou o gramado após a derrota de Portugal para a Espanha por 1 a 0, nas oitavas de final, com lágrimas nos olhos e, muito provavelmente, a certeza de que disputou sua última Copa do Mundo.
Afinal, o futebol brasileiro coleciona imagens semelhantes. Ontem mesmo, domingo, 5 de julho, passamos por isso… Goste ou não de Neymar, foi triste ver o choro de decepção do craque, que participou – oi? – de sua última Copa. No passado, alguns viram Pelé deixar os gramados da Seleção. Choraram com Zico, Sócrates, Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Kaká. Sentimos também a dor do Vozinha, um dos gigantes desse mundial! Cada geração precisou aprender que nem mesmo os maiores conseguem vencer o tempo ou controlar o destino de uma Copa do Mundo.
Cristiano Ronaldo entra agora nesse grupo de gigantes que descobriram, da forma mais dolorosa possível, que talento, dedicação e números históricos nem sempre bastam para levantar a taça mais desejada do futebol. Os números impressionam. São 233 partidas pela seleção portuguesa, 146 gols, 46 assistências e participação em seis Copas do Mundo. Nenhum desses feitos, porém, conseguiu transformar o sonho do título mundial em realidade.
