A deputada estadual Ana Carolina Serra (PSDB-SP) afirma ter sido desrespeitada e impedida de exercer seu trabalho pelo líder do governo na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), Gilmaci Santos (Republicanos), durante reunião da Comissão de Assuntos Metropolitanos, da qual é presidente, realizada na quarta-feira (3).
A audiência tinha como objetivo ouvir o presidente da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Carlos Augusto Leone Piani, sobre o aumento das reclamações de consumidores relacionadas aos serviços prestados pela companhia, privatizada em julho de 2024.
“Fui profundamente desrespeitada como parlamentar e como mulher. Não vou tolerar que um outro deputado se ache no direito de levantar a voz pra mim”, afirmou Ana Carolina Serra.
Como apenas cinco deputados estavam presentes, um a menos que o necessário para validar a reunião, Gilmaci Santos teria impedido que Ana Carolina conduzisse os trabalhos. De acordo com a tucana, a intenção era aproveitar a presença do presidente da Sabesp para um depoimento informal. Porém, vídeo divulgado pela deputada mostra Gilmar conduzindo o executivo para fora da sala de reunião, impossibilitando a oitiva.
“É isso que acontece quando alguém subestima a nossa capacidade, que não aceita uma mulher na posição de poder. Um deputado, quando se viu pressionado e que sua estratégia não tinha dado certo, apelou para gritaria e desrespeito. Não fui a única ofendida. Essa atitude desrespeita outros deputados e a população que nos elegeu como representantes”, disse Ana Carolina.
A deputada Ana Perugini (PT), que integrava a mesa ao lado de Ana Carolina Serra, manifestou solidariedade à colega e afirmou que episódios de desrespeito contra mulheres não são isolados na Alesp. “Já presenciei em outras comissões o total desrespeito com mulheres na presidência dentro dessa Casa. Mas isso aqui superou em muito aquilo que já vi. O que houve foi uma violência política de gênero”, pontuou.
O deputado Antonio Donato (PT) também criticou a postura de Gilmaci Santos durante a reunião e afirmou ter faltado cordialidade no tratamento dispensado à presidente da comissão. “O líder de governo, de maneira desrespeitosa, impediu o presidente da Sabesp de falar e o retirou da sala”, relatou.
A presidente do PSDB Mulher de São Paulo, Erika Santos, manifestou solidariedade à deputada. “É inadimissível que uma parlamentar eleita, no exercício legítimo de suas funções constitucionais e presidindo os trabalhos da comissão, seja interrompida, desrespeitada e impedida de conduzir a sessão de forma plena. Infelizmente, episódios como este evidenciam as dificuldades enfrentadas por mulheres em espaços de poder e decisão. O silenciamento de uma mulher em posição de liderança institucional não pode ser naturalizado.”
A Sabesp afirmou que o presidente compareceu à Comissão de Assuntos Metropolitanos, “atendendo à convocação para prestar esclarecimentos sobre obras de implementação da rede de água e de esgoto em Paranapanema”, mas que o depoimento não foi realizado “por falta de quórum regimental”. A companhia disse ainda “que permanece à disposição da população e do Legislativo estadual para esclarecimentos.”
Gilmaci Santos não foi localizado e sua assessoria não se manifestou.
