A convenção que homologará a candidatura da governadora Raquel Lyra (PSD) está marcada para amanhã, no Recife. O que poderia, entretanto, se traduzir num grande ato de demonstração de força e sinalização pela confiança dos aliados na reeleição pode resultar num tremendo fiasco. Não de público, porque a máquina tem um poder incomensurável de mobilização, mas de incertezas na chapa.
Raquel não teve capacidade, traquejo nem tampouco liderança para botar ordem na casa. A convenção perdeu o brilho em razão da chafurdação entre o presidente estadual da federação União Progressista, Eduardo da Fonte, e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que duelam pela segunda vaga de candidato ao Senado.
Com cinco mandatos na Câmara Federal e o apoio de uma base de dez deputados estaduais, além de mais de 30 prefeitos, Eduardo ganhou no voto a indicação da federação por 5 x 3, mas Miguel não respeitou o resultado democrático. A governadora demonstra apreço por Miguel, mas ele não tem a maioria da Federação União Progressista, controlada por Eduardo.
Na reta final, Raquel assumiu uma posição de firmeza em defesa de Miguel, mesmo tendo sido diversas vezes alertada sobre as dificuldades de emplacar a candidatura dele, pelo fato de não ter o controle da federação.
A governadora é concursada da Polícia Federal e tem na transparência de sua gestão uma bandeira de campanha, mesmo que da boca pra fora. Assessores da governadora temem que ela quebre a cara na insistência com Miguel, primeiro porque perderá o fundo eleitoral; segundo, porque perderá o tempo da federação na propaganda eleitoral.
Eduardo fez uma jogada de mestre que complicou ainda mais a vida da governadora: marcou para o dia 5, no apagar das luzes do prazo das convenções partidárias, o ato solene e formal da federação para definir os nomes dos candidatos da federação para deputado e senador, ou seja, três dias após a deliberação da convenção da governadora.
