Teve o dedo do próprio presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a decisão de mudar novamente o comando da comunicação da campanha do candidato do seu partido, Flávio Bolsonaro. Como contara por aqui o Correio Político, em junho Valdemar tinha tomado a decisão de se afastar da articulação direta da campanha presidencial, deixando essa tarefa de fato para o coordenador, senador Rogério Marinho.
Iria focar somente nas campanhas para deputado federal, que são as fundamentais para definir os recursos dos Fundos Partidário e Eleitoral. Essa, a praia de Valdemar. Em julho, tinha até resolvido tirar férias. Estava em Miami, pronto para assistir dos estádios a Copa do Mundo. A crise entre Flávio e sua madrasta, Michelle, foi o ponto de inflexão. Valdemar estava no estádio esperando o início do jogo entre o Brasil e a Escócia quando soube do vídeo de Michelle.
No dia seguinte, abandonou as férias e a Copa e embarcou de volta para o Brasil. Desde então, é ele quem dá as cartas na campanha de Flávio. Até porque a confusão já estava começando a atrapalhar também o trabalho de eleger deputados federais. A briga de Flávio com Michelle somada à história ainda não explicada do financiamento por Daniel Vorcaro, do Banco Master, do filme Dark Horse, vinha derretendo as chances do candidato do PL. E correndo o risco de atrapalhar alianças.
No momento em que Valdemar estava mais afastado do comando da campanha, tinha sido feita a troca que colocou na comunicação o publicitário Eduardo Fischer e o jornalista Alexandre Oltramari. Eles tinham assumido depois da crise do Master. O responsável anterior, Marcello Lopes, saíra no meio da crise. Duda Lima tinha ficado o tempo todo ainda responsável pela comunicação do próprio PL. Retoma ao posto que comandou em 2022. Foi ele o responsável pela campanha de Jair Bolsonaro, que acabou derrotado.
Em 2024, Duda Lima tinha chegado a anunciar, numa entrevista, que não iria mais assumir campanhas eleitorais. Segundo o que apurou nos bastidores do PL o Correio Político, internamente o publicitário tinha problemas com Michelle Bolsonaro. A saída dela do comando do PL Mulher após uma discussão dura com Valdemar Costa Neto teria facilitado a sua possibilidade retorno à comunicação da campanha.
Na mesma linha do dedo de Valdemar na campanha, está a tentativa de agora fechar com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para ser a vice de Flávio Bolsonaro. Poderá ser um pouco tarde, mas foi, enfim, feito um gesto político que demorou. Embora a senadora fosse cogitada, não tinha havido até então uma conversa direta com ela.
O problema, a essa altura, é que a possibilidade implica a Federação União Progressista aceitar fechar uma coligação com o PL. E os dois partidos, União Brasil e PP, já tinham resolvido que ficariam neutros com relação às candidaturas presidenciais. E isso se dá por conta da estreiteza do PL em abrir espaço para alianças nos estados.
O caso de Santa Catarina é o mais notório. Fechou-se uma chapa que só tem o PL. Até com boas chances de reeleger tanto o governador Jorginho Mello quanto os dois candidatos ao Senado, Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni. Mas é justamente por isso que se queixam: a força conservadora poderia ajudar a puxar outros aliados.
Tereza Cristina desejaria mesmo, como já declarou, disputar a presidência do Senado. Mas essa é também uma vaga almejada por Rogério Marinho. E também pelo atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que oscila entre ser aliado de Lula ou embarcar na oposição. Flávio também resistia ao nome de Tereza.
Ele preferia a ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Até chegou a fazer ensaios de maior exposição dela, quando, por exemplo, apresentou com ela seu plano de governo em torno das questões de gênero. Mas aí a resistência era de Valdemar Costa Neto, para quem ela não tem força política suficiente. Em bom português, não tem voto.
A tentativa agora de fato com Tereza Cristina visa conter um movimento que comentamos aqui na quinta-feira (30): parte do agro começava a discutir voto útil no candidato do PSD, Ronaldo Caiado, por considerar que ele tem mais possibilidades de vencer Lula no segundo turno. Tereza, como vice, conteria esse ensaio de debandada.
