A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) reagiu, no domingo, à declaração do candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB) de que avalia apoiar as postulações de Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) ao Planalto. A mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, que abriu uma nova frente de crises no bolsonarismo ao criticar a aliança do PL cearense com o tucano, declarou que “a direita do Ceará está vendida”.
“Choca? Não! Só não viu quem não quis, por causa do velho ‘toma lá, dá cá’. Eu alertei que esse senhor, cujo partido contribuiu para deixar o meu marido inelegível, não daria o seu apoio. Ainda assim, queria os votos dos bolsonaristas. Infelizmente, a direita do Ceará está vendida”, escreveu Michelle nas redes sociais. As informações são do jornal O GLOBO.
A declaração de Ciro ocorreu no sábado, semanas após o político ser citado como um dos principais motivos do desentendimento público dentro do clã Bolsonaro entre Michelle e Flávio.
De volta ao PSDB, o ex-presidenciável cearense foi questionado quem pretende apoiar na disputa à Presidência em 2026. Ciro salientou que o partido ainda não definiu qual caminho seguir após a desistência de Aécio Neves ao Planalto.
— Nós, eu e o Tasso (Jereissati, ex-senador tucano pelo Ceará), estamos trocando ideias. Eu, por exemplo, me dou muito com o Ronaldo Caiado, votaria nele sem nenhuma dificuldade. Estou acompanhando essa novidade que apareceu, que é o Renan Santos, me parece uma pessoa que, a despeito de jovem, está falando coisas muito verdadeiras, embora aqui e ali tenha exageros. É uma possibilidade — declarou o tucano em entrevista ao portal Cariri News.
Ciro ponderou, posteriormente, ser importante a “eleição do Ceará” antes de qualquer disputa nacional, e que há quadros bolsonaristas e lulistas entre seus aliados.
— Hoje, nosso senador Alcides (Fernandes) vota no Bolsonaro, no Flávio Bolsonaro. O Mauro Benevides (União), que coordena meu projeto de governo, é vice-líder do (governo) Lula (na Câmara dos Deputados), vota no Lula. E tá tudo certo, tudo bem — salientou Ciro.
No vídeo que culmuniou na saída de Michelle da presidência do PL Mulher, e dúvidas sobre o apoio da mulher de Bolsonaro à candidatura do filho do ex-presidente, Michelle alega ter sido “desrespeitada” e “maltratada” por Flávio. Segundo ela, o motivo foi sua discordância em relação às articulações do enteado no Ceará para apoiar Ciro.
De acordo com publicação do colunista Lauro Jardim, o PL sabe que o tucano não apoiará Flávio, mas nem por isso o descarta por entender que ele é uma arma para bater em Lula. Segundo um integrante do time de Flávio: “Vamos municiá-lo de material contra o Lula”.
