Renan Santos, presidente nacional do Missão e pré-candidato ao Palácio do Planalto, subiu o tom contra Sergio Moro (PL) em vídeo publicado nas redes sociais e chamou o senador de “devasso do ponto de vista moral”, numa ofensiva que expõe a guerra interna da direita depois do teste de Curitiba com Flávio Bolsonaro.
A frase é pesada, mas o fato político é maior que o xingamento. Renan mirou a biografia pública de Moro, construída na Lava Jato e no discurso anticorrupção, para cobrar por que o senador paranaense passou a defender Flávio Bolsonaro no mesmo momento em que o caso Dark Horse e o Banco Master atingem o pré-candidato do PL à Presidência.
No vídeo, Renan acusa Moro de rasgar a própria história para ajudar o bolsonarismo. Ele também ataca Deltan Dallagnol (Novo), outro personagem da Lava Jato que dividiu o palanque de Curitiba com Flávio Bolsonaro, Moro e Filipe Barros (PL).
O Blog do Esmael já havia apontado que a direita caminhava para uma canibalização dentro da própria bolha. A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira (1º) colocou Lula (PT) com 38% no primeiro turno, Flávio Bolsonaro com 31% e Renan Santos empatado numericamente em terceiro lugar, com 6%, ao lado de Ronaldo Caiado (PSD).
Esse dado muda o peso do ataque. Renan não fala apenas como comentarista irritado do antigo Movimento Brasil Livre (MBL). Ele fala como pré-candidato registrado no debate nacional, presidente de uma legenda reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e interessado em disputar o eleitor de direita que não quer se submeter ao sobrenome Bolsonaro.
A pancada em Moro tem endereço duplo. De um lado, mira o senador paranaense, que tenta disputar o Palácio Iguaçu com apoio bolsonarista. De outro, busca arrancar pedaços do eleitorado lavajatista que ainda vê em Moro e Deltan uma marca de combate à corrupção.
O problema para Moro é que Renan usou a linguagem da própria Lava Jato contra seus antigos símbolos. A cobrança é simples: se suspeita bastava para preventiva no passado, por que o caso Master, o áudio atribuído a Flávio Bolsonaro e a captação para o filme Dark Horse viraram assunto secundário no palanque da direita?
Essa pergunta bateu em Curitiba antes de bater na pesquisa. Flávio Bolsonaro esteve na capital paranaense ao lado de Moro, Deltan e Filipe Barros, mas preferiu atacar Lula a responder de forma direta às cobranças sobre o caso Dark Horse, a relação com Daniel Vorcaro e o pedido de recursos para o filme sobre Jair Bolsonaro.
