O primeiro jingle lançado pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL), no fim da semana passada, tem um objetivo claro: dar um respiro à candidatura do senador ao Palácio do Planalto após semanas de crises. Com o mote “Vem com Fé”, a aposta é recuperar fôlego com o eleitorado evangélico, alcançar outros religiosos e falar sobre esperança em um novo país, de maneira geral.
Auxiliares de Flávio citam, nos bastidores, que o slogan funciona de maneiras diferentes. O primeiro – e principal – objetivo é fazer um aceno ao eleitorado evangélico. O público, considerado estratégico para a equipe e com relevância no cenário nacional da eleição, tinha apresentado resistência após as turbulências recentes. Segundo o último Datafolha, entre esse eleitorado, Flávio caiu de 61% para 56%, recuo de cinco pontos percentuais fora da margem de erro.
Agora, a ideia é de recuperação – incentivado pela participação recente do senador na Marcha Para Jesus em São Paulo, por exemplo. Segundo membros da pré-campanha ouvidos pela coluna, o objetivo é reforçar as ligações emocionais com o público. E alcançar novos. “Quando falamos de fé, falamos de religião de maneira geral”, explicou um auxíliar. Católicos, por exemplo, também estão na mira da equipe. A avaliação é que é possível abarcar diversas religiões como trunfo contra o opositor, o presidente Lula (PT), que vai tentar a reeleição.
Como antecipou a Jovem Pan, inclusive, as sondagens para possíveis vices de Flávio fazem parte do cenário religioso. A manobra também é um aceno às mulheres.
O segundo foco do slogan é o apelo à fé como instrumento de transformação do Brasil. O objetivo é apostar em uma narrativa de reconstrução.
