O discurso da senadora Teresa Leitão (PT) no lançamento da pré-candidatura de João Campos (PSB) ao governo do estado deu um indicativo sobre como serão os próximos dias. Talvez semanas. Cristalizado o fato de que o Partido dos Trabalhadores (PT) tem um rito próprio para definir seus caminhos, como nenhuma outra legenda tem igual, Teresa não se furtou em dizer que, assim como na conjuntura nacional, Lula quer que o PT e PSB caminhem juntos em Pernambuco.
“Este é o palanque em que Lula não terá nenhum vexame em subir, porque aqui ninguém está colocando condicionantes para o presidente subir”, disse a senadora. Uma mensagem à oposição, claro, mas sobretudo aos membros do próprio PT. E porque não dizer, à Federação formada com PCdoB e PV. No evento, o PCdoB apareceu no retrato, se fez presente. O PV, por sua vez, levou um puxão de orelha da senadora: “A gente precisa fazer esse debate no âmbito da Federação”. Eis aí o pulo do gato.
Ranhuras entre PT e PSB são tradicionais na política pernambucana. Cada eleição a seu modo. O que cabe hoje refletir é o quanto o diretório nacional do PT e o Palácio do Planalto serão capazes de interferir na ranhura – e nos interesses – da vez em Pernambuco. Até dia 28, quando o diretório estadual definirá sua estratégia eleitoral depois de escutar todas as regiões, há muito chão.
E depois de uma semana onde as certezas viraram pó em questão de segundos, com viradas de mesa a todo instante, os holofotes se viram para Raquel e as suas escolhas. Aqui falo dos nomes para vice e ao Senado, mas também da relação de proximidade com o presidente Lula. Afinal, o outro lado já caminha para utilizar um importante argumento a seu favor: a memória. Assim entramos em mais uma semana onde Brasília vira uma extensão do Recife.
