O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou a aliados que gostaria de ver o ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador na chapa de Fernando Haddad (PT) em São Paulo. A expectativa é de que Lula converse pessoalmente com França nos próximos dias para tratar do assunto.
Apesar disso, o PSB segue defendendo que França dispute uma vaga ao Senado. Mesmo sem descartar totalmente a possibilidade de compor como vice, integrantes do partido entendem que o ex-governador tem força para disputar o Senado e esperam um entendimento político mais amplo caso a mudança aconteça.
Procurado, Márcio França afirmou que a Executiva nacional do PSB já definiu sua pré-candidatura ao Senado como prioridade, mas ressaltou que o partido não trabalha em busca de compensações políticas.
O impasse acontece porque o PT ainda resiste em entregar as duas vagas ao Senado em São Paulo ao PSB. Lula já teria indicado apoio ao nome de Simone Tebet (PSB) para uma das vagas, enquanto a outra segue indefinida e é disputada por França e pela ex-ministra Marina Silva, da Rede.
Nos bastidores, lideranças do PSB afirmam que Simone Tebet ingressou no partido a pedido do próprio Lula e, por isso, sua eventual candidatura ao Senado faria parte de uma articulação pessoal do presidente. O argumento é que Márcio França, por ter longa trajetória dentro do PSB, não deveria perder espaço na disputa.
Nos últimos dias, o partido chegou a cogitar lançar simultaneamente França e Tebet ao Senado, independentemente da composição da chapa de Haddad. O cenário poderia aumentar a disputa dentro do campo da esquerda, já que haveria três nomes para apenas duas vagas.
Demonstrando que não pretende abrir mão da candidatura de França, o PSB nacional aprovou nesta quarta-feira (27) prioridade para as candidaturas dos dois ex-ministros ao Senado. A deputada federal Tabata Amaral (PSB) também comentou o tema recentemente e afirmou que a demora na definição pode prejudicar a articulação eleitoral.
“Eu venho defendendo que cabe todo mundo, que é só se conversarem para ajeitar. O mais importante é que a gente entenda que temos uma eleição difícil e não podemos correr o risco da política perder o tempo do que acontece na rua”, afirmou a parlamentar.
Dirigentes do PSB esperam agora uma atuação direta de Lula para resolver o impasse. O presidente tinha uma reunião marcada com o prefeito do Recife e dirigente nacional do PSB, João Campos, na quinta-feira (28).
Por meio da assessoria de imprensa, Márcio França declarou: “O PSB não busca compensações. Somos parte da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Faremos tudo o que for melhor para a reeleição da chapa Lula-Alckmin e para a garantia da democracia. Todo o resto é secundário”.
Além de São Paulo, Pernambuco também virou ponto de atenção na relação entre PT e PSB. Lula já sinalizou apoio ao prefeito João Campos na disputa pelo governo do estado, embora parte do governo defenda neutralidade para não desgastar a relação com a governadora Raquel Lyra (PSD), que também é aliada do presidente.
