Há artistas que conquistam aplausos. Outros entram para a história. Fernanda Montenegro pertence às duas categorias — e ainda tem o raro privilégio de continuar despertando admiração enquanto sua própria trajetória se transforma em memória viva da cultura brasileira. Nesta sexta-feira, 16 de outubro, a atriz completa 97 anos, com mais de oito décadas dedicadas à interpretação e uma coleção de conquistas que ultrapassa as fronteiras do país.
Do rádio aos grandes palcos, da televisão ao reconhecimento internacional, Fernanda construiu uma carreira marcada por talento, disciplina e escolhas artísticas que desafiaram o tempo. Além disso, sua história guarda episódios surpreendentes: o nome artístico nasceu de uma inspiração literária, sua caminhada profissional começou antes da televisão se popularizar e uma atuação no cinema brasileiro a levou à disputa por uma das estatuetas mais cobiçadas do mundo.
E há muito mais para celebrar! Confira dez curiosidades que ajudam a entender por que a chamada Dama da dramaturgia continua sendo uma referência incontornável.
Arlette virou Fernanda Montenegro a
Pouca gente sabe, mas a artista nasceu como Arlette Pinheiro Esteves da Silva, no bairro do Campinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em 1929. O nome que se tornaria célebre surgiu quando ela começou a trabalhar no rádio.
A escolha de Fernanda teve inspiração na sonoridade dos romances de escritores como Honoré de Balzac e Marcel Proust. Já Montenegro veio de uma referência a um médico homeopata amigo da família. Assim nasceu uma identidade artística que entraria para a história.
Carreira começou antes de chegar à TV
Aos 15 anos, Fernanda conquistou uma oportunidade na então Rádio Ministério da Educação e Saúde, atual Rádio MEC. Ali, trabalhou como locutora, redatora e radioatriz, além de participar de adaptações de obras literárias. Portanto, antes de conquistar o público com personagens na tela, ela já desenvolvia a voz, a interpretação e a disciplina que sustentariam sua carreira. O rádio, aliás, funcionou como uma verdadeira escola artística.
Uma das pioneiras da televisão brasileira
Em 1951, Fernanda foi contratada pela TV Tupi do Rio de Janeiro, logo tornando-se uma das pioneiras da teledramaturgia nacional. Na época, a televisão ainda dava seus primeiros passos no Brasil. Ou seja, ela não apenas acompanhou a evolução do veículo: participou da construção de uma linguagem artística que se transformaria em parte fundamental da cultura popular brasileira. Na Globo, estreou em 1965, no teleteatro “4 no Teatro”, e chegou às novelas da emissora em “Baila Comigo”, em 1981.
‘Central do Brasil’ levou Fernanda ao Oscar
Em 1998, a atriz emocionou o público como Dora, a ex-professora que escreve cartas para pessoas analfabetas no filme “Central do Brasil”, dirigido por Walter Salles. A atuação lhe rendeu o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim, em 1998, e uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, em 1999.
Conquistou um Emmy Internacional
A consagração internacional não ficou restrita ao cinema. Em 2013, Fernanda ganhou o Emmy Internacional de Melhor Atriz por sua atuação em “Doce de Mãe”, especial que apresentou ao público a inesquecível Picucha.
Fernanda Montenegro é uma imortal da literatura
Em 2021, Fernanda foi eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL), onde ocupa a cadeira 17. A posse ocorreu em março de 2022. A conquista ampliou o reconhecimento de uma artista que, além de interpretar textos de grandes autores, também construiu uma relação profunda com a palavra. Ela ainda publicou a autobiografia “Prólogo, Ato, Epílogo”, na qual revisita momentos de sua vida pessoal e profissional.
Leitura de Simone de Beauvoir entrou para o Guinness
Em 2024, a atriz reuniu cerca de 15 mil pessoas no Parque Ibirapuera, em São Paulo, durante uma leitura de textos da filósofa francesa Simone de Beauvoir. O evento entrou para o Guinness World Records pelo público reunido em uma leitura filosófica.
Parceria artística e uma família com Fernando Torres
Fernanda foi casada com o ator e diretor Fernando Torres, com quem dividiu uma longa história de amor e trabalho. Os dois estrearam juntos profissionalmente no teatro em 1950 e construíram uma parceria que atravessou décadas.
Relação profunda com o teatro
Embora o cinema e a televisão tenham ampliado sua popularidade, o palco permanece essencial para compreender sua formação. Ao longo de mais de sete décadas, Fernanda participou de dezenas de montagens e trabalhou com textos de autores fundamentais da dramaturgia.
Despertando interesse e criando novos registros
A longevidade artística de Fernanda também ganha novos olhares no presente. Em outubro de 2026, às vésperas de seu aniversário, o documentário “Fernanda”, dirigido por Pedro Waddington, chegou ao Festival do Rio.
