A retomada das novelas pelo SBT ainda está nos seus primeiros movimentos, mas já revela um planejamento mais consistente do que em tentativas anteriores. Há, desta vez, uma preocupação evidente em estruturar o projeto sobre bases sólidas, tanto no modelo de produção quanto nas parcerias envolvidas. A aproximação com a JPO, do José Paulo Vallone, indica um caminho de maior profissionalização e divisão de responsabilidades, algo fundamental para os dias atuais, em se tratando de um produto que exige tamanho fôlego financeiro e organização industrial.
Ao mesmo tempo, a escolha por uma história contemporânea, aliada à escalação de atores e atrizes com identificação histórica com a casa, sugere uma estratégia de reconexão com o público, apostando não apenas no ineditismo, mas também na memória afetiva.
Ainda é cedo para qualquer avaliação mais definitiva. Novela é um produto de risco, que depende de uma série de fatores para se firmar. Mas, ao contrário de outras investidas, o que se vê agora é método, critério e uma linha de raciocínio mais bem definida.
