Ambiente político e cultural ajudou fragmentação do espectro com aumento de discursos individualistas e críticas ao Estado. Se alguém quiser reconhecer a direita brasileira de 2026, a pesquisa declaratória ajuda, mas não basta. O Datafolha mostrou, no fim de 2025, 35% dos brasileiros se dizendo de direita, 11% de centro-direita, 17% de centro, 7% de centro-esquerda e 22% de esquerda. O ponto de partida, portanto, não é a existência de um campo majoritário homogêneo, mas a presença de um campo amplo de direita e centro-direita inserido em competição intensa.
Quando se passa das pesquisas de identidade para as pesquisas eleitorais, essa impressão fica ainda mais forte. Em março de 2026, o noticiário político já registrava 8 pré-candidatos à Presidência, dos quais pelo menos 7 podiam ser situados, com graus diferentes, no campo da direita ou da centro-direita: Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos, Aldo Rebelo, Cabo Daciolo e Augusto Cury.
Em ciclos anteriores, a direita aparecia com menos dispersão de nomes competitivos ou com menos correntes simultâneas de liderança. O dado novo não é apenas a força do campo, mas a quantidade de variantes que ele passou a comportar ao mesmo tempo.
