Desde que assumiu o “Domingão”, Luciano Huck tem demonstrado um interesse cada vez maior em aproximar o programa do universo digital. Influenciadores, criadores de conteúdo e personagens da internet passaram a ser convocados, numa tentativa evidente de renovar o público e dialogar com novas gerações.
Uma aposta que, no papel, faz todo sentido. O problema é que, na prática, os resultados ainda estão longe de comprovar essa teoria. O exemplo mais recente foi Virginia Fonseca, escalada para o “Diário de Virginia” durante a Copa do Mundo. Desde antes da estreia, o quadro gerou enorme repercussão, mobilizou críticas e dominou as redes sociais, mas não há qualquer evidência de que tenha provocado uma migração significativa dos tantos seguidores dela para o “Domingão”. O debate em torno foi mais ruidoso do que o próprio conteúdo.
E esta não chegou a ser uma experiência isolada. Nos últimos anos, o programa abriu espaço para nomes fortemente ligados ao ambiente digital. É claro que isso não significa um erro de estratégia. Ao contrário. A televisão precisa conversar com quem produz todo tipo de conteúdo. O erro, talvez, esteja em imaginar que seguidores se transformam automaticamente em telespectadores. Não acontece e nunca aconteceu assim.
Internet e televisão compartilham artistas, assuntos e audiência em determinados momentos, mas funcionam sob lógicas completamente diferentes. Quem acompanha um criador por vídeos de poucos segundos no celular não necessariamente reservará parte do seu domingo para assistir a um programa de duas, três horas de duração. Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa.
Talvez o maior desafio da Globo não seja levar influenciadores para o “Domingão”, mas encontrar uma maneira de fazer com que eles funcionem dentro da linguagem da televisão. Porque audiência tem que ser conquistada e não se transfere por osmose, nem quando quem aparece na tela soma dezenas de milhões de seguidores.
