Nova ofensiva do governo Trump atinge autoridades e ex-autoridades de quatro países. Brasil não aparece na lista divulgada, mas fontes ouvidas pela coluna afirmam que nomes brasileiros estão sob análise em Washington, em um momento em que o governo americano amplia o uso de diferentes instrumentos de pressão — de restrições e revogações de vistos a sanções com base na Lei Magnitsky.
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira restrições de vistos contra 27 autoridades, ex-autoridades e outros indivíduos da América Latina, além de familiares imediatos, em uma nova ofensiva contra pessoas acusadas por Washington de envolvimento com corrupção, narcotráfico e ações que ameaçam instituições democráticas na região.
A medida foi anunciada pelo Departamento de Estado, comandado pelo secretário Marco Rubio, e alcança pessoas da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru.
Nenhum brasileiro aparece na relação. A apuração da coluna, no entanto, indica que outros nomes do Brasil também estão sendo analisados em Washington para possíveis novas medidas.
Segundo fontes ouvidas pela coluna, a avaliação envolvendo brasileiros ocorre em um cenário mais amplo, no qual o governo Trump vem recorrendo a diferentes mecanismos para atingir autoridades e outros indivíduos estrangeiros.
Essas ferramentas vão desde restrições e revogações de vistos, aplicadas pelo Departamento de Estado, até sanções baseadas na Lei Magnitsky, administradas pelo Departamento do Tesouro por meio do OFAC.
São instrumentos diferentes e não significam que os brasileiros sob análise serão necessariamente submetidos à mesma medida aplicada aos 27 latino-americanos.
A informação apurada pela coluna é de que há novos nomes brasileiros sendo analisados em Washington. Não há, até agora, confirmação pública sobre quais seriam esses nomes, qual instrumento poderia ser utilizado em cada caso ou quando eventuais medidas seriam anunciadas.
O histórico recente, porém, mostra que o governo Trump já utilizou as duas ferramentas contra brasileiros.
Em agosto de 2025, o Departamento de Estado revogou os vistos de Mozart Julio Tabosa Sales e Alberto Kleiman, ex-integrantes do Ministério da Saúde envolvidos na implementação do programa Mais Médicos. Washington os acusou de colaborar com o que classificou como um esquema cubano de exportação coercitiva de mão de obra médica. O governo brasileiro contestou as acusações.
Em outra frente, o governo americano recorreu à Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. As medidas foram impostas pelo Departamento do Tesouro, por meio do OFAC, e posteriormente alcançaram também sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e o Lex Instituto de Estudos Jurídicos.
