Sob ofensiva do PT, o candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, vai intensificar, às vésperas do primeiro turno, os ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Embora aliados afirmem que a crise do caso Master esteja precificada, o contra-ataque é considerado essencial para conter a operação de desgaste do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro montada pela campanha petista. O time de Lula explora as conexões do candidato do PL com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A campanha de Flávio, segundo apurou a CNN, vai voltar a explorar com mais ênfase as investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro. Os dois são citados em inquéritos da PF (Polícia Federal) por ligação com a lobista Roberta Luchsinger.
Outra aposta é explorar a crise do STF (Supremo Tribunal Federal), associando o presidente Lula ao ministro Alexandre de Moraes. A investigação da PF aponta mensagens entre Vorcaro e o magistrado. O escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, assinou um contrato de R$ 132 milhões com o Banco Master.
A propaganda bolsonarista também deve resgatar escândalos ligados às gestões petistas, como o Mensalão e a Lava Jato, com o objetivo de associar o presidente Lula a um histórico de corrupção. Ao assumir a estratégia de comunicação de Flávio no fim de julho, o marqueteiro Duda Lima definiu que a propaganda no rádio e na TV deveria focar principalmente em temas que afetam a vida do eleitor, como o custo de vida e a segurança pública. Embora explorados nas redes, os ataques diretos a Lula acabaram tendo espaço menor, com o objetivo de apresentar Flávio como mais propositivo que o presidente.
De acordo com integrantes da campanha, contudo, os ataques devem escalar às vésperas do primeiro turno para tentar blindar Flávio da ofensiva petista.
Além de associar Flávio a Vorcaro, a campanha de Lula também vai destacar o passado do senador, que foi investigado pelo crime de “rachadinha” em seu gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), e sua suposta ligação com a milícia carioca.
Outro ponto a ser explorado é a investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio é investigado por lavagem de dinhero, corrupção e evasão de divisas. O senador sustenta que não houve ilegalidade no pedido.
Nesta semana, a ligação com o dono do Banco Master e as conexões com milicianos voltaram a assombrar o candidato do PL.
Uma investigação da PF deflagrada em julho deste ano mostra que uma assessora do senador negociou, em 2023, emendas parlamentares com um miliciano condenado neste ano, no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), por organização criminosa.
