Minha indignação não é com a Ordem dos Advogados do Brasil, instituição muito maior, mais importante e historicamente mais digna do que os homens que circunstancialmente a dirigem. É precisamente por respeitar sua história que me recuso a confundi-la com uma geração de dirigentes fracos, acomodados e incapazes de representar a verdadeira dimensão da advocacia brasileira num momento em que o país atravessa uma das mais graves crises de credibilidade de seu sistema de Justiça.
A presença de parte da cúpula da OAB em Lugano, na Suíça, enquanto essa crise se aprofundava, não me incomoda pelo destino da viagem e muito menos por quem pagou suas despesas, questão absolutamente secundária diante do que verdadeiramente interessa. O episódio apenas tornou visível uma ausência muito mais antiga e grave, porque à distância física se soma uma ausência intelectual, política e institucional perante questões que afetam profundamente a sociedade e, de maneira particularmente cruel, o cotidiano dos advogados.
