Em Pernambuco, a corrida para o Senado, com duas vagas em aberto nas eleições deste ano, está completamente indefinida, segundo a última pesquisa do Datafolha. E vai tomando um rumo que pode quebrar o paradigma do candidato a governador puxar os seus candidatos à Casa Alta, como se deu lá atrás, na eleição de Miguel Arraes, depois com Jarbas Vasconcelos e Eduardo Campos.
Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT), que lideram, numericamente, integram a chapa do candidato da oposição, o socialista João Campos, que apareceu com 7 pontos percentuais abaixo da governadora Raquel Lyra – 47% a 40%, na mesma pesquisa. Ambos usam como estratégia uma vinculação direta com o presidente Lula (PT).
Como Teresa Leitão foi eleita senadora pela força e o prestígio de Lula no pleito de 2022, numa chapa em que o candidato dela a governador, Danilo Cabral (PSD), não chegou ao segundo turno, Humberto e Marília deixam claro que apostam na influência de Lula como cabo eleitoral, mesmo João sendo extremamente competitivo, numa eleição que segue aberta para o Palácio do Campo das Princesas.
Já entre os candidatos da chapa da governadora, Túlio Gadelha (PSD) foca mais em Lula do que em Raquel, mesmo a governadora estando em cima do muro sem assumir se vota em Lula, Ronaldo Caiado, do partido dela, ou Flávio Bolsonaro, do PL, cujo partido e forças bolsonaristas estão atrelados ao palanque de Raquel.
Eduardo da Fonte, da federação União Progressista, o segundo postulante ao Senado na chapa da governadora, adotou como estratégia mostrar o que fez e faz por Pernambuco como deputado em Brasília, alavancando recursos, via emendas federais, principalmente na área de saúde, com destaque para a instalação de equipamentos ultramodernos no tratamento do câncer.
Apresenta-se como o senador da saúde, enquanto Mendonça Filho, que de última hora trocou o União Brasil pelo PL, faz suas apostas como azarão tentando atrair os votos do eleitorado de direita, dos conservadores e bolsonaristas. Vai dar certo? Segundo o Datafolha, está no páreo, empatado com Eduardo da Fonte.
Mas não tem perfil nem histórico bolsonarista. Se o segundo candidato de Raquel tivesse sido Miguel Coelho (UB), Mendonça não teria entrado na disputa para o Senado. Topou a parada porque acha que pode tirar a vaga de Eduardo da Fonte, que julga menos competitivo do que o ex-prefeito de Petrolina.
Não é bem assim, como os números vão mostrando. A última pesquisa Datafolha mostra Mendonça com apenas um ponto à frente de Eduardo, 12% e 11%, respectivamente, com uma vantagem para Da Fonte: o seu exército de prefeitos, vereadores e deputados trabalhando por ele, além de ser o candidato oficial da governadora.
