Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que o Brasil não pretende continuar como simples vendedor de matéria-prima e quer se tornar exportador de conhecimento, tecnologia e produtos industrializados, uma corrida silenciosa já está redesenhando o controle empresarial das terras raras brasileiras.
Entre os oito empreendimentos mais maduros identificados pelo Capital Digital, apenas um está em produção comercial. Todos são conduzidos, controlados ou estão em processo de integração com grupos estrangeiros, principalmente australianos, canadenses e norte-americanos. Ao redor deles, pelo menos outras 20 frentes de exploração e projetos ainda iniciais revelam a disputa para assegurar, desde agora, direitos sobre áreas consideradas estratégicas.
O Brasil preserva formalmente a soberania sobre seu subsolo, uma vez que os recursos minerais pertencem à União e sua pesquisa e exploração dependem de autorização pública. O que ainda não está assegurado, entretanto, é o controle nacional sobre a cadeia econômica e tecnológica construída a partir desses recursos.
O contraste ganhou força depois de Lula reunir ministros e representantes do setor na sexta-feira (10) e declarar que o Brasil não quer ser apenas vendedor de minerais. Segundo o presidente, a estratégia será transformar o país em exportador de conhecimento e estabelecer parcerias que assegurem pesquisa, processamento e agregação de valor em território nacional.
O diagnóstico preparado para subsidiar a Estratégia Nacional de Terras Raras reconhece exatamente esse risco. O estudo apresentado pelo Ministério de Minas e Energia estima que o Brasil concentra 21 milhões de toneladas em reservas, equivalentes a 23,1% dos recursos globais considerados no documento, mas lembra que o país já extraiu e exportou terras raras no passado sem capturar o valor das etapas industriais posteriores. A repetição do modelo de exportação de recursos pouco processados é apontada como o risco estratégico central.
