Por Lucas Arruda
Logo assim que foi consolidada, no Senado, a histórica rejeição ao nome de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, declarou sem medo: “isso é a prova de que o governo Lula acabou, finalizou, não tem mais o que discutir”. E Sóstenes complementou: “é um governo que não consegue, com emendas de bancada e com emendas extras, com cargos, aprovar um indicado ao STF”.
Pois bem, essa será a narrativa sustentada pela oposição até a eleição. E tem base para isso, porque não é de hoje que o governo Lula III vai mal das pernas do ponto de vista da articulação política. Um problemão que começou com Alexandre Padilha, se atenuou nas mãos de Gleisi Hoffmann e agora caiu no colo de José Guimarães. E “problemão” porque nunca antes na história deste país – para utilizar uma frase cara ao presidente – o Executivo esteve tão dependente.
Jorge Messias não foi rejeitado por ser Jorge Messias. Com o jogo duro de Alcolumbre para mostrar a Lula que quem manda no Senado é ele, até o Papa, se indicado fosse, ficaria pelo meio do caminho. A discussão aqui é sobre governabilidade nos meses que restam, e por consequência, a capacidade do governo para juntar os cacos e avançar nas pautas que levem à reeleição. O desafio: no mesmo Congresso onde acabou de sofrer uma derrota acachapante.
É sobre o avanço do fim da escala de trabalho 6×1, mas também é sobre o fato de Lula ter que provar, mais uma vez, que é capaz de virar um jogo que a oposição diz já ter vencido. Se o governo acabou? Saberemos nas próximas semanas, ainda com a perspectiva de que um novo indicado ao STF seja anunciado pelo presidente. Essa é a hora de recalcular o número de aliados, inimigos e traidores.
