Ainda que a proposta do governo para o fim da escala 6×1 não avance, o PT avalia que apenas o envio do projeto de lei (PL), em caráter de urgência ao Congresso, já é suficiente para garantir uma vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no debate pela redução da jornada de trabalho.
A leitura é que a rejeição do texto elaborado pelo Palácio do Planalto, seja pelo voto no plenário ou em detrimento de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que trata o tema, dá ao presidente um trunfo no discurso pela reeleição. A perspectiva é que Lula adote o discurso de que sua proposta, que prevê cinco dias de trabalho por dois de folga remunerada, é mais célere para atender o trabalhador e garantir tempo livre para passar com a família. Porém, caso não avance, poderá dizer que o Congresso rejeitou uma solução rápida.
Com isso, mesmo sem o resultado efetivo na mão, Lula poderá dizer que tentou melhorar a vida da classe trabalhadora, mas faltou vontade política de adversários para abraçar a proposta. Em empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência, Lula busca recuperar a popularidade e vencer o mau humor do eleitorado para se descolar do adversário.
O governo propôs que a redução da jornada de trabalho seja discutida por meio de um PL com urgência, que tem uma tramitação mais rápida, de até 45 dias para ser votado.
Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), insiste que o tema que opõe interesses entre trabalhadores e setores produtivos tramite por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição). Nesse formato, a análise leva mais tempo, passando pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e comissão especial antes de chegar ao plenário. Além disso, precisa de votação em dois turnos e 308 votos, enquanto a aprovação do PL, como quer o governo, exige apenas maioria simples, com 257 votos.
