Desconto de consignado do PicPay nos salários somou R$ 81,7 milhões até agosto de 2025. TCDF aponta irregularidade em cobrança de taxa. O PicPay, fintech do grupo J&F, teve acesso indevido aos dados pessoais de servidores do Governo do Distrito Federal (GDF) para oferecer empréstimo consignado. A empresa é a única credenciada para ofertar “antecipação salarial” e realizar os descontos diretamente na remuneração dos funcionários públicos. A partir de um contrato com a Secretaria de Economia do DF que permitiu a instituições financeiras realizarem empréstimos consignados, o banco digital fez descontos de R$ 81,7 milhões nos salários de servidores do DF.
O Metrópoles teve acesso a algumas das mensagens enviadas pelo PicPay para os servidores em que anuncia o produto. “Seu saldo já está liberado! Antecipe parte do seu salário sem juros e receba o valor na hora”, diz um SMS. “Aproveite o valor máximo de antecipação! Receba agora parte do seu salário. Seguro e sem juros”, informa outro. Servidores ouvidos pela reportagem relataram surpresa ao receberem as mensagens porque não se inscreveram no PicPay, de forma que não foram eles que divulgaram os próprios dados. Questionada pela reportagem, a Secretaria de Economia do DF declarou que “não realiza, em nenhuma hipótese, o compartilhamento de dados pessoais de servidores públicos com empresas privadas, em estrita observância à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)”.
Em fevereiro de 2026, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou a suspensão de novos descontos diretamente na remuneração dos servidores vinculados ao serviço do PicPay. A decisão ocorreu após inspeção da área técnica da Corte de Contas identificar que a empresa cobrava uma taxa – o que não seria permitido na legislação local para a modalidade de consignados.
