No lugar dos antigos escanteios da vida, se instalou um palavreado que valoriza o enigma em vez da clareza. Mais do que a bola rolando em campo, o assunto do futebol passou a girar de maneira bem exagerada em torno do que acontece fora dele. Só que, à dimensão desproporcional dos erros de arbitragem, se juntaram as entrevistas pós-jogo, algumas até pitorescas, que na maioria das ocasiões, em vez de poder esclarecer, só acabam confundindo mais, embolando o meio campo. O episódio envolvendo o técnico Roger Machado, ao tentar explicar a derrota do São Paulo para o Palmeiras, foi só mais um desses casos. Um futebolês levado às suas mais sérias e complexas consequências.
Tudo como parte de uma linguagem inflada, cheia de conceitos rebuscados e, na maioria das vezes, desnecessários, que se instalou no ambiente do futebol. E muito por culpa de alguns treinadores, como de determinados setores da imprensa. No lugar dos antigos escanteios da vida, se instalou um palavreado que valoriza o enigma em vez da clareza, o efeito em vez da explicação.
